sábado, 30 de junho de 2007

Eu apresento a página branca

Hoje eu acordei mais uma vez pensando na vida, nas minhas cagadas e nas consequências destas cagadas... Eu tento "concatenar" a idéias (como diria meu Ilustríssimo amigo Isael) para escrever, mas nada vem, nada tem, nada zen... Então me deparo com obras deste homem que parece falar sobre mim em segredo, que sabe o que é arte, poesia e vive disso sem medo. Arnaldo Antunes é um poço de conhecimento, é um explorador nato da riqueza da língua portuguesa e abusa de uma indiscutível roupagem musical. Porque tem o dom, tem o talento e usa, ousa, usa, ousa... Como não tenho tanto, não uso tanto, nao ouso tanto:




Eu apresento a página branca

Contra:

Burocratas travestidos de poetas
Sem-graças travestidos de sérios
Anões travestidos de crianças
Complacentes travestidos de justos
Jingles travestidos de rock
Estórias travestidas de cinema
Chatos travestidos de coitados
Passivos travestidos de pacatos
Medo travestido de senso
Censores travestidos de sensores
Palavras travestidas de sentido
Palavras caladas travestidas de silêncio
Obscuros travestidos de complexos
Bois travestidos de touros

Fraquezas travestidas de virtudes
Bagaços travestidos de polpa
Bagos travestidos de cérebros
Celas travestidas de lares
Paisanas travestidos de drogados
Lobos travestidos de cordeiros
Pedantes travestidos de cultos
Egos travestidos de eros
Lerdos travestidos de zen
Burrice travestida de citações
água travestida de chuva
aquário travestido de tevê
água travestida de vinho
água solta apagando o afago do fogo
água mole sem pedra dura
água parada onde estagnam os impulsos
água que turva as lentes e enferruja as lâminas
água morna do bom gosto, do bom senso e das boas intenções
insípida, amorfa, inodora, incolor
água que o comerciante esperto coloca na garrafa para diluir o whisky
água onde não há seca
água onde não há sede
água em abundância
água em excesso
água em palavras.

Eu apresento a página branca.


A árvore sem sementes.

O vidro sem nada na frente.

Contra a água.

Arnaldo Antunes in Tudos

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Frágil Insignificância...

Estou me sentindo tão frágil como uma bolha de sabão: inodora, insípida, incrivelmente transparente e prestes a explodir. De tão frágil. De tão cheia de vazio. E tão vazia de tão cheia desta droga! Medo da praia deserta, dos passos largos na areia, areia fina, molhada, salgada...
Insignificante peso, insignificante som, e tão frágil que posso ser levada pelo vento e é só por isso que me contento, pq o vento pode me ajudar a seguir em frente e soprar o suficiente... até a minha cura!

Me sinto tão frágil como uma enorme bolha de sabão, película ultra-fina, arco-íris rodeando, yin-yang, ping-pong, explosão se aproximando... Vou e volto embalada pelo vento, e que ele não me leve em nenhum momento de volta a praia deserta e sombria, pois se toco na areia fina, molhada e salgada, me desfaço num segundo, de tão frágil e tão vazia.
Aproveitando o ensejo...
Fragilidade

Este verso, apenas um arabesco em torno do elemento essencial - inatingível. Fogem nuvens de verão, passam ares, navios, ondas,e teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento, ai! já brincou, e tudo se fez imóvel, quantidades e quantidadesde sono se depositam sobre a terra esfacelada. Não mais o desejo de explicar, e múltiplas palavras em feixe subindo, e o espírito que escolhe, o olho que visita, a música feita de depurações e depurações, a delicada modelagem de um cristal de mil suspiros límpidos e frígidos: não mais que um arabesco, apenas um arabesco abraça as coisas, sem reduzi-las.

- Carlos Drummond de Andrade in A rosa do Povo

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Seja Ridículo!!!


Ahhh!!! Não seria legal se pudéssemos emancipar nossas mentes e fizéssemos tudo que desse vontade? Se não fôssemos moldados para sermos engolidos pelo sistema? Se não seguíssemos um padrão que a sociedade impõe e que nem sempre concordamos...
Comer de mão, andar descalço, falar de boca cheia, tomar banho de mar pelado, encher a cara e rir bem alto até cair, bater na porta e gritar: "ô de casa" e nao tocar campainha, raspar o prato (que o povo acha "feio", FEIO é o desperdício!! colocar no prato e depois jogar no lixo...), dançar na chuva, lamber os dedos, arrotar e peidar (que são necessidades fisiológicas, não falta de educação...), cantar música em inglês errado (afinal, não temos obrigação de saber esta poha de língua), bater os talheres na mesa e gritar "CO-MI-DA !!! CO-MI-DA!!!" enquanto o rango não chega, escrever no prato do restaurante "tô cum fome" com o catchup, chorar de felicidade, fumar "unzinho" e rir pelos cotovelos, chamar o cachorro de "cholinho", se borrar todo com o molho do cachorro-quente, chupar o ossinho da galinha (aquilo lá tem um caldinho... hmmmm), comer churrasquinho de gato e E-XI-GIR que seja com farofa e esperar 30 minutos por 10 centavos de troco... dançar arrocha, lambada, calypso e uscambal!!!
Aí estão algumas coisas que para muitas pessoas são atitutes absurdas... Não acredito que nenhuma delas te faça feliz (como diria Donizildo - by Mundo Canibal: O QUÊ!!!! EU NÃO ACREDITOOOOOAAAAAAARRRR!!!! ISSO É UM ABSURDOOOOOOOO!!!!). Há quem goste até de tudo mas tenha uma vergonhazinha de admitir, ou pelo menos tenha uma vontadezinha enrustida... Se libertem!!! Vamos todos rir das inconveniências... SEJAMOS TODOS RIDÍCULOS!!!!
Isso é viver... É aprender... Hakuna Matata!!! hehehe